O que são a displasia e as sequelas da infância no quadril?
A displasia do quadril acontece quando o acetábulo, a cavidade da bacia onde o fêmur se encaixa, é mais raso do que deveria. Com isso, a cabeça do fêmur fica pouco coberta e a carga do dia a dia se concentra em uma área menor da articulação.
Algumas doenças que afetam o quadril na infância e na adolescência também podem deixar alterações no formato da articulação. É o caso da doença de Legg-Calvé-Perthes, do escorregamento da cabeça do fêmur, conhecido como epifisiólise, e de infecções no quadril durante a infância.
Muitas vezes essas alterações passam despercebidas por anos e só começam a dar sinais na vida adulta, com dor, limitação de movimento e desgaste da articulação mais cedo do que o esperado.
Quais são os sinais?
Os sintomas costumam aparecer aos poucos e podem ser confundidos com cansaço ou com outras dores. Alguns sinais merecem atenção.
- Dor na virilha ou na lateral do quadril: principalmente depois de caminhar, ficar muito tempo em pé ou praticar atividade física.
- Cansaço no quadril: sensação de que o quadril cansa antes do restante do corpo em caminhadas mais longas.
- Estalos ou travamento: podem indicar lesões associadas, como as do labrum.
- Alterações na marcha: mancar, diferença no comprimento das pernas ou dificuldade para abrir ou girar a perna.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa pela conversa sobre a sua história, incluindo problemas no quadril na infância, e pelo exame clínico. Radiografias com medidas específicas mostram o formato e a cobertura do quadril. A tomografia e a ressonância magnética ajudam a avaliar o encaixe, a cartilagem e o labrum, e são importantes para planejar o tratamento.
Como o tratamento é definido?
O tratamento depende do formato do quadril, do grau de desgaste da articulação, da idade e dos sintomas de cada paciente.
- Tratamento conservador: fortalecimento muscular, fisioterapia, ajuste das atividades e medicação para controlar a dor, quando os sintomas permitem.
- Correção do encaixe: em pacientes mais jovens, sem desgaste avançado, cirurgias que reposicionam o acetábulo ou o fêmur, chamadas de osteotomias, podem melhorar a cobertura da articulação.
- Prótese do quadril: quando a articulação já está muito desgastada, a artroplastia pode ser indicada para aliviar a dor e devolver o movimento.
O que o tratamento busca alcançar
Quando a alteração é identificada a tempo, o tratamento pode fazer diferença na forma como o quadril vai funcionar ao longo dos anos.
- Alívio da dor: reduzir o desconforto que aparece nas atividades do dia a dia.
- Melhor funcionamento do quadril: recuperar o movimento e a confiança para caminhar e se exercitar.
- Proteção da articulação: diminuir a sobrecarga sobre a cartilagem e cuidar da saúde do quadril a longo prazo.
Cada caso exige uma decisão diferente
Duas pessoas com displasia podem ter quadris muito diferentes. Por isso, cada caso é avaliado com cuidado, considerando o formato da articulação, a idade, os sintomas e o que é importante para você. A decisão sobre o tratamento é construída junto com você, com clareza e sem pressa.
Displasia do quadril com a Dra. Damianne Bertonsello
Sou ortopedista e traumatologista, com atuação em cirurgia do quadril, e membro titular da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia (SBOT) e da Sociedade Brasileira de Quadril (SBQ), entidades de referência no estudo e nas melhores práticas da ortopedia e da cirurgia do quadril.
Na consulta, começo ouvindo a sua história, inclusive o que aconteceu com o seu quadril na infância. Avalio o formato da articulação, explico o que os exames mostram e apresento as opções de tratamento para que você decida o próximo passo com segurança.
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